quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Alteridade...

Dia desses, parada em um ponto de ônibus na cidade onde moro, algo me chamou a atenção... era bem cedo, o comércio ainda estava começando a abrir suas portas e uma senhora atravessava (ou melhor, tentava atravessar) uma das principais avenidas da cidade. Tudo muito normal para um cidadão de bem. O que me intrigou foi que esta senhora tinha uma deficiência na perna (agora não me recordo em qual delas), como aquelas decorrentes de paralisia infantil. Andava com a moleta do lado que necessitava apoio e na outra mão levava consigo um carrinho daqueles que levamos à feira para trazer o que compramos. Ela teve uma dificuldade enorme em conseguir atravessar a rua, pois sua limitação deixava-a mais lenta e o risco, nesse caso, é um pouco maior.
Fiquei o tempo que ela levou para conseguir atravessar observando-a e refletindo a respeito. 
Quantas vezes nos deparamos com dificuldades tão menores e nos colocamos a chorar pelos motivos mais torpes possíveis? Eu já me peguei chorando por não poder ir à faculdade porque o trabalho me atrasava demais, às vezes por perder a paciência com algum colega e inúmeras vezes por me sentir sozinha. 
Penso que esse seja o grande defeito do ser humano e uma das possíveis respostas para tanto sofrimento. Outro dia vi num culto desses da RIT um pastor respondendo a seguinte pergunta de um fiel: "Por que sofremos tanto?" E o pastor falou bem pouco, mas disse algo em que confio muito. "Porque muitas vezes não colocamos Deus à frente de nossas vidas. Enchemo-nos de "(in)segurança" em nós mesmos e esquecemos que Ele nos fez para sermos seus filhos. E um Pai nunca abandona um filho".
Somos dados a julgar o outro com nossos olhos, levantamos críticas a todos à nossa volta, nos colocamos distante daqueles que necessitam do nosso apoio, afastamo-nos dos que estiveram perto e muitas vezes nos ajudaram quando mais precisamos, para apenas não causar ou fugir da confusão. 
Já vi muito amigo sumir em momentos bem difíceis e assumo que também já fiz isso milhões de vezes, acreditando que somente o tempo pode resolver as coisas e que não dependia de mim ajudar a amenizar a dor. Até que isso acontece, mas com o tamanho da ferida aberta, o tempo pra curar é muito maior. E, do que nos orgulharíamos depois se nada contribuímos para a dor passar? 
É assim que vivemos... fugindo, fingindo não ver, virando as costas, porque não temos a capacidade de colocarmo-nos no lugar dos nossos, de tentar sentir suas dores, por algum instante que seja, para abrirmos o coração e até chorarmos junto. Não nos permitimos perder nosso tempo.
E se Deus pensasse assim por apenas um dia? Virasse as costas para nós, deixasse de ouvir nossas súplicas e lamentações, tirasse um dia de folga, uma semana? E mais triste, se você tivesse a consciência disso, desse abandono? Como sentiríamo-nos? Não saberíamos responder...
Somos filhos de um Pai onipontente, onipresente e onisciente, que nunca nos abandona, que não debocha das nossas fraquezas, não repreende nossos devaneios e em oração curva-se diante de nós e muitas vezes chora conosco. Por que então tanto egoísmo? Por sermos tão mimados por esse Pai que tudo nos faz? Pedras preciosas Suas? 
Vamos nos colocar em primeiro no lugar de Deus... sermos menos relapsos e displicentes com aqueles que o Pai colocou em nossas vidas e em seguida, vamos tentar nos colocar em seus lugares, sentir um pouco suas dores, dividir. E, ao final, vamos agradecer todos os dias de nossas vidas a dádiva de sentir. Sentimento é o que mais perfeito Deus deu aos seus filhos... a capacidade de sentir, guardar memórias é que nos faz diferentes de todos os seres terrestres e não damos valor a isso. Olhe ao seu lado, alguém deve estar precisando apenas de um sorriso seu, nada mais.

Vamos agradecer por tudo que temos em nossas vidas, pois elas são maravilhas perante Ele, presente supremo. 

J. Alves

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Guarda o que é teu e segue...

Quisera eu ir embora, sem deixar nenhuma porta aberta. Ando lentamente, contando as pedras do caminho, contabilizando sonhos e sorrisos, mas algo teima em tentar impedir meu triunfo. Entramos sem ônus na vida das pessoas, e vamos adquirindo-os ao longo da insistência dos nossos dias ao lado delas. Amar deixa de ser belo aos olhos alheios e, no meu caso, julgado por terceiros, parece piada sem graça, humor americano.
A culpa é sua no final de tudo. Culpa por ter se deixado conquistar, por ter se entregado, por amar demais por muito tempo. Seu sentimento se virou contra você, mas de uma maneira terceirizada.

Que culpa temos nós de termos chegado primeiro e construído nossa casinha na colina, sobre as rochas! É humilde, é pacata, é pequena, mas é aconchegante e pacífica, seus cômodos são espaçosos e arejados. Pena que não é bonita nem mister da arquitetura moderna. Só isso!
Que culpa tenho eu de ter chegado bem antes aqui? De ter amado sem nada em troca? De ter esperado um pouco que fosse? De ter chorado noites a fio com o medo da perda? Que queria apenas a companhia, o zelo, e a tão reivindicada "consideração"!
Todos nós temos histórias pra contar, todos nós temos alegrias pra lembrar, temos amor pra sentir, amizade pra brincar e músicas para ouvir.
Onde erramos? No sentimento, na luta, na espera? Por que a afronta desmedida? Por que o desespero gravado em todos os lugares? Por que a guerra declarada? A intriga, infâmia alastrada, jogada ao vento? Seria puro desconforto? Puro desleixo? Medo?

Espera! Não se alastre! Apenas espere! Aprenda a colher os frutos que plantas todos os dias! Só uma coisa garanto positivamente a ti: Se plantares ódio e perseguição, ficarás sozinho na luta!

Fico eu no meu cantinho, sorrindo com os meus... esperando algo que venha de Deus, merecidamente! Não me desmantelo em busca de algo que nem sei de quem é! Senta-te e espera! O que é teu virá até mesmo com o vento!