Fiquei o tempo que ela levou para conseguir atravessar observando-a e refletindo a respeito.
Quantas vezes nos deparamos com dificuldades tão menores e nos colocamos a chorar pelos motivos mais torpes possíveis? Eu já me peguei chorando por não poder ir à faculdade porque o trabalho me atrasava demais, às vezes por perder a paciência com algum colega e inúmeras vezes por me sentir sozinha.
Penso que esse seja o grande defeito do ser humano e uma das possíveis respostas para tanto sofrimento. Outro dia vi num culto desses da RIT um pastor respondendo a seguinte pergunta de um fiel: "Por que sofremos tanto?" E o pastor falou bem pouco, mas disse algo em que confio muito. "Porque muitas vezes não colocamos Deus à frente de nossas vidas. Enchemo-nos de "(in)segurança" em nós mesmos e esquecemos que Ele nos fez para sermos seus filhos. E um Pai nunca abandona um filho".
Somos dados a julgar o outro com nossos olhos, levantamos críticas a todos à nossa volta, nos colocamos distante daqueles que necessitam do nosso apoio, afastamo-nos dos que estiveram perto e muitas vezes nos ajudaram quando mais precisamos, para apenas não causar ou fugir da confusão.
Já vi muito amigo sumir em momentos bem difíceis e assumo que também já fiz isso milhões de vezes, acreditando que somente o tempo pode resolver as coisas e que não dependia de mim ajudar a amenizar a dor. Até que isso acontece, mas com o tamanho da ferida aberta, o tempo pra curar é muito maior. E, do que nos orgulharíamos depois se nada contribuímos para a dor passar?
É assim que vivemos... fugindo, fingindo não ver, virando as costas, porque não temos a capacidade de colocarmo-nos no lugar dos nossos, de tentar sentir suas dores, por algum instante que seja, para abrirmos o coração e até chorarmos junto. Não nos permitimos perder nosso tempo.
E se Deus pensasse assim por apenas um dia? Virasse as costas para nós, deixasse de ouvir nossas súplicas e lamentações, tirasse um dia de folga, uma semana? E mais triste, se você tivesse a consciência disso, desse abandono? Como sentiríamo-nos? Não saberíamos responder...
Somos filhos de um Pai onipontente, onipresente e onisciente, que nunca nos abandona, que não debocha das nossas fraquezas, não repreende nossos devaneios e em oração curva-se diante de nós e muitas vezes chora conosco. Por que então tanto egoísmo? Por sermos tão mimados por esse Pai que tudo nos faz? Pedras preciosas Suas?
Vamos nos colocar em primeiro no lugar de Deus... sermos menos relapsos e displicentes com aqueles que o Pai colocou em nossas vidas e em seguida, vamos tentar nos colocar em seus lugares, sentir um pouco suas dores, dividir. E, ao final, vamos agradecer todos os dias de nossas vidas a dádiva de sentir. Sentimento é o que mais perfeito Deus deu aos seus filhos... a capacidade de sentir, guardar memórias é que nos faz diferentes de todos os seres terrestres e não damos valor a isso. Olhe ao seu lado, alguém deve estar precisando apenas de um sorriso seu, nada mais.
Vamos agradecer por tudo que temos em nossas vidas, pois elas são maravilhas perante Ele, presente supremo.
J. Alves