sábado, 10 de abril de 2010

Palavras jogadas...

Um sábado ensolarado, com um certo ar frio, talvez pra compensar o calor das emoções...
Um coração esperançoso, e por que não dizer-se alegre pelas expectativas... apenas
Uma vida inteira pela frente, pois o passado já foi regado demais de amarguras...

Quem sabe eu não esteja mais aqui amanhã... mas deixarei naqueles que me amam, a certeza de que eu sempre estive perto... e dos que me odeiam... a certeza de que nunca irei embora de verdade...


Bom fim de semana a todos!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Saudades do meu avô!!!

Na infância quando as vindas eram só de visita ao avô e às tias, tudo era tão raro, tão pitoresco, tão novo, tudo a conhecer, explorar. O linguajar, as expressões chamavam tanto a atenção. Modernidade era uma bomba d’água nos poços, aquilo nos dava um medo de chegar perto. Como era bom tirar a sesta e acordar com o barulho dos passarinhos no quintal ao lado. Os pés de mexerica bem ao alcance, sem contar o tanto de gatos do senhor Ramiro e sempre um cachorro “brabo” no quintal, pra fazer a segurança da casa. Foi do meu avô que ouvi pela primeira vez a palavra “armazém” para designar mercado. Onde vivia, os mais matutos diziam “bolicho”. Tenho saudade dos causos contados por aquele velho sisudo, mas com um humor inconfundível e inigualável do meu avô. Das cobras grandes que matava, dos “carreirões” que levou das Capitãs do Mato quando ia buscar água na mina, nos tempos da fazenda. Dos bailes que levavam quase um dia pra chegar a cavalo. Das roças de milho, feijão, mandioca e melancia que mantinha para sustentar os filhos que se encorajara a criar sozinho, desde a viuvez.

Tinha respostas pra tudo, mas nem sempre queria dar, e se zangava facilmente nos chamando de “espicula”. Depois de muito tempo, com muita gramática estudada fui entender o significado dessa palavra. Meu avô era um sujeito pobre, rude, lapidado pela vida difícil, pela roça e confins do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O que aprendemos com ele, jamais encontraremos em qualquer enciclopédia, por mais bem elaborada que seja. Silenciosamente seu Ramiro nos ensinava uma das mais importantes lições humanas: abrir a boca somente quando necessário, e se tiver muita certeza da sabedoria contida nas palavras.

Ainda o vejo no terreno baldio ao lado da sua humilde casa, “sapecando” uns galhos grandes de umas folhas com ponta meio arredondada. Ficava horas naquilo, e com o passar do tempo tínhamos que descobrir sozinhos o que era: erva mate, cultivada em alguns pés em seu quintal, muitos à janela do quarto. No pilão, preparava com muito gosto a iguaria pra manter o vício do tereré e do mate, com água aquecida no fogão à lenha que ele mesmo construía no canto da cozinha, com tijolo e barro, queimado com cimento, comprado no armazém lá na “cidade”.

Tinha umas manias engraçadas e nunca mais por nós esquecidas. Dia de chuva ele encarava como uma bênção e agradecia muito intimamente com um sonoro “Chuva Pedro!”, quando ouvia um trovão daqueles ensurdecedores. Todos nós à sua volta tínhamos e conservamos um apelido muito bem escolhido e adotado por ele. Na família tinha Casca (abreviação de Cascavel), uma tia muito brava, Bugre, Baitaca, Vorá, Jateí, Tatinha, Buguinho e a Jacutinga, mais precisamente eu. Ainda não descobri a verdadeira razão desse apelido, se é associado à ave magrela com esse nome, se é só porque combina com meu nome mesmo, mas sinto tristeza em lembrar do jeito que ele me chamava e hoje não ouço mais.

Escreveria um livro, se pudesse, com tantas lembranças boas desse velho amigo que Deus permitiu nossa convivência. Quando lembramos dele sempre ficamos felizes, sua partida não foi triste, pois sua vida foi plena entre nós, ele deu o que ele tinha para ver-nos felizes e nossas lembranças são provas disso. Talvez ele esteja hoje conversando com o íntimo amigo São Pedro das tardes de chuva. Talvez esteja olhando pra gente agora zangado pra nos corrigir de algum mal feito, ou porque eu ou a Lucimar cortamos o cabelo sem pedir sua permissão. Nós ficamos aqui, na certeza de que fomos felizes em sua presença. Saudades!!!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Beija-me a fonte...

    Põe-me as mãos nos ombros...
    Beija-me na fronte...
    Minha vida é escombros,
    A minha alma insonte.

    Eu não sei por quê,
    Meu desde onde venho,
    Sou o ser que vê,
    E vê tudo estranho.

    Põe a tua mão
    Sobre o meu cabelo...
    Tudo é ilusão.
    Sonhar é sabê-lo.

    Fernando Pessoa


quarta-feira, 3 de março de 2010

Pessoas que compensam...

Começando nesse blog. Ainda não definimos bem o que será escrito, mas aceitamos propostas, ideias, dicas e sugestões...

Se quiser escrever alguma coisa ou sugerir um assunto ou discussão, estamos à disposição...

Um abraço a todos!!!

Pasmado